terça-feira, 27 de abril de 2010

Alguns Teleoperadores, contribuem de maneira negativa...

Olá pessoas.

Neste post, eu comento sobre o que me aconteceu ontem.
Um pequeno exemplo, de como alguns Teleoperadores, contribuem de forma negativa para a imagem da nossa categoria...

Eu estive em uma agência de empregos, no centro da capital paulista, me inscrevendo para uma vaga de emprego. A vaga em questão, é para trabalhar perto da minha casa (zona sul de São Paulo), no SAC de uma empresa de rastreamento de veículos. A agência colocou, na mesma sala, pessoas concorrendo a vagas em quatro empresas diferentes:
A empresa perto da minha casa, a Atento, A Call Tecnologia e a Teleperformance.
As vagas foram distribuídas, de acordo com o perfil do candidato e a região onde moram.

Parte deste processo seletivo que, segundo eles, ainda não terminou, consiste em fazer umas provinhas de conhecimentos de português, informática, redação e, por último, um ditado feito na hora. Estas provas foram muito fáceis para mim. Muito fáceis mesmo! Eu entendo que, um adolescente que tem só o ensino fundamental e costuma usar a internet, tira de letra as provinhas em questão.

Pois bem: E não é que teve duas candidatas a vagas da Atento que, durante a provinha, vieram me perguntar qual era a tecla usada para aumentar o tamanho da letra? DETALHE: Era para marcar um X na opção correta e, o desenho da tecla SHIFT, estava lá enorme na folha...

Outra pergunta, era sobre a prova de português: " - Tal palavra é com ç ou ss?". Detalhe: A palavra era EXCEÇÃO... Eu não sou nenhum erudito na língua portuguesa, mas, dificilmente cometeria um erro tão primário como esse...

Mesmo sabendo que era errado, eu respondi as perguntas que me foram feitas, pois a selecionadora não estava na sala. Pensei em negar ajuda, mas, eu também pensei: "Essas burras, também precisam de emprego..." E como nós não estávamos concorrendo a mesma vaga, eu resolvi ajudar...

A gente reclama tanto que os Teleoperadores são muito mal pagos, são desvalorizados, se estressam por tão pouco... Mas, o que alguns Teleoperadores tem feito, para mudar esta situação? Será que somos explorados pelas empresas do setor, justamente, porque as empresas sabem que existem candidatos tão despreparados quanto essas moças?

Brasil: Um país de todos?

3 comentários:

  1. Marcus Tadeu (São Paulo-SP)27 de abril de 2010 às 12:29

    Olá Sr. CDC. Eu também sou teleoperador e descobri hoje o seu blog. Gostei muito do conteúdo do mesmo. Já está nos meus favoritos!

    Quanto ao assunto do post, eu penso o seguinte:
    Gente burra que nem essas meninas, queimam mesmo a nossa categoria.

    Mas o senhor também falhou em ajudar. Eu entendi a sua compaixão, mas, quem é muito bonzinho, sempre se dá mal por causa disso.

    Era para vagas diferentes, mas, as paredes tem ouvidos e, nestas horas, somos avaliados em absolutamente tudo!

    De qualquer forma, espero que o senhor seja bem sucedido neste processo seletivo e poste aqui se deu tudo certo ou não.

    Um abraço.

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  2. Olá Srº CDC

    Bem, fazemos parte de um país com uma diversidade tamanha seja social, cultural, econômica, etc. E, embora as novas tecnologias tenham avançado em diversas regiões, ainda sim muita gente está excluída desses avanços. Nosso país possui altos índices de analfabetos, moradores de rua, subempregados, e muitas vezes não está relacionado à falta de desejo do indivíduo em querer mudar sua situação. É uma realidade que precisamos analisar em grupo, no âmbito social. Portanto, não creio que seja uma atitude ponderada recriminar o indivíduo chamando-o de "burro" ou qualquer outro adjetivo de baixo calão, em função da inabilidade do sujeito em se inserir num conjunto de padrões que por si só tem natureza excludente. Principalmente se você não conhece tais pessoas, a sua história pessoal, os problemas enfrentados, seu modo de vida e muitos outros contextos emergidos a partir do viver em sociedade. Se o individuo não sabe diferenciar uma letra da outra em determinada palavra isso pode ser motivado por inúmeras possibilidades, lapsos de memória, dificuldades cognitivas... ou pode ser reflexo de algo bem maior, o nível educacional do nosso país, por exemplo, que, por sinal, está entre os piores do mundo.
    Não existe um único ponto de vista que permeia as relações sociais, mas vários pontos de vistas que se relacionam de maneira complexa. Dessa forma , é interessante que, antes de formarmos uma opinião, devemos considerar "o olhar do outro", tentar refletir sobre situações nas quais não vivenciamos para ampliar nosso entendimento sobre determinado fenômeno.
    Sobre a pergunta final do seu texto, a resposta não é fácil e nem definitiva. Não um,mas inúmeros fatores relacionados, em menor ou maior proporção, podem servir de resposta a questão da exploração da classe operária. E isso tem raizes, bem, bem , bem históricas.

    Abraços!!!!

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  3. Olá, de novo!!

    Obrigada pelas correções em meu texto, sobre elas tenho a dizer o seguinte:

    A palavra "complor", de fato, foi vacilo meu! Assumo meu o "erro", pode me cruscificar, embora eu tenha atingido o objetivo de ter passado o que queria dizer.

    Já sobre o "cú", eu sempre soube que cú não tem acento. E isso é revoltante. Para mim, o cú tem que ter acento, não da pra imaginar o cú sem acento, e isso não tem nada a ver com regras gramaticais. Quando se manda alguém tomar no cú, é algo com ênfase, você quer ferir os ouvidos daquele sujeito com toda determinação possível. É libertador você mandar alguém tomar no cú. Na minha cabecinha, o acento agúdo serve justamente para expressar na escrita esse elemento de ênfase, a palavra cú por si só já é bem enfática, você não acha?
    Quem faz a linguagem são os próprios indivíduos que a utilizam. Somos nós que a transformamos e adaptamos ao nosso dia a dia, segundo objetivos sociais e pessoais. E isso já acontece desde os tempos da criação da linguagem humana, sem com isso afetar de forma negativa nosso sistema linguístico. Portanto, nós temos o direito de utilizar a linguagem como forma de expressão própria. A língua não tem sua realidade estática como acredita a gramática normativa que impõe um conjunto de regras muitas vezes inúteis, refletindo realidades que não conseguem ser absorvidas pela população, regras que tem suas origens arcaícas, regras estas que se você perguntar a inúmeros gramáticos por que existe determinada regra eles não saberão responder. Temos que lembrar que muito do que consideramos hoje de linguagem culta, já foi considerada "erro gramatical" há algum tempo. Logo, deve se entender que gramática nenhuma vence o poder que tem a sociedade de moldar a linguagem no âmbito das relações sociais.
    O escritor Guimarães Rosa é um exemplo maravilhoso, pois conseguiu escrever obras grandiosas se utilizando da fala popular, não gramaticalizada, da fala como o povo fala de verdade, para a produção de sentidos que transcendem a alma humana. Ele não teve medo de brincar com as palavras, unir elementos de fala e escrita, do culto ao popular, tornando-se, com isso, um dos melhores escritores do Brasil, quiçá, do mundo.!!!!
    Portanto, onde houver cú, ele estará sempre com acento garantido, mesmo que a população passe a nascer sem cú!!! rsrsrs.

    Abraços!!!

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